sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Saudades


Nunca pensei vir a dizer isto, costumam dizer que só sentimos saudades e damos valor depois de partirem e é mesmo verdade.

Muita gente sabe que a minha relação com os meus pais não é a melhor, nunca nos entendemos, os feitios diferentes e muitos traumas no passado fizeram-me ficar fria com eles, fizeram-me afastar porque só de pensar em coisas que passei com eles doia demais.

Mas a verdade é que tenho saudades do meu pai, ainda não cai em mim de que morreu, custa-me acreditar que aquele homem cheio de defeitos, que não parava, que trabalhava pelos sonhos dele, que montou tudo o que tem a pensar na reforma, um homem forte como ele como pode ter morrido???!!! É impensavel e mesmo eu dizendo que ele tinha muitos defeitos e que os meus problemas com ele foram grandes a verdade é que não aceito que o perdi.

Sinto falta de tudo o que me queixava dele, dos telefonemas mesmo sendo para me chatear por não ir mais vezes lá a casa.

O meu pai nunca parou, mesmo quando estava doente não parava quieto. E domingo à noite (7 da tarde) liga-me o meu irmão a dizer para ir visitar o meu pai pois estava com uma gastro, e estava desidratado, perguntei porque não ia ele ao medico já sabendo que a resposta dele seria não, que hospital nem pensar. Chamaram um medico privado lá a casa que o pos a soro e lhe deu uma injecção para a gastro, com a advertencia que se não melhorasse teria de ir ao hospital.
Devido à hora e por falta de gasoleo confesso que lá não fui, mas prometi ir no dia seguinte (segunda) nem que arranjasse algum dinheiro para o gasoleo.

Eram 5 da manha recebo uma chamada da minha cunhada, a primeira reacção foi "olha foi para o hospital", quem pensaria que ele ia morrer assim sem mais nem menos? Um homem como ele não morreria de uma gastro. A verdade é que o que ouvi do outro lado da linha foi o meu irmão, a chorar num desespero absoluto "Andreia anda cá depressa que o pai morreu, o pai morreu" e eu nem reagi direito apenas pensei "impossivel". Perguntei inumeras vezes se era verdade, até que atende a minha cunhada "Andreia anda para cá que o teu pai morreu mesmo".

Primeira reacção? "o meu irmão... o meu irmão" as lagrimas caiam involuntárias (como neste momento), não não pensei no meu pai, primeiro o meu irmão, depois como estaria a minha mãe, como estaria a minha avó visto ser o segundo filho que perde.

O Pedro foi buscar a Di, e segui logo para lá com o Lipe e quando o vi deitado na cama o unico pensamento foi que estava a dormir.

A policia subia e descia a escada, pensam em negligencia medica e mandam-no para autopsia, e no meio disto tudo vimos o meu pai dentro de um saco plastico ser levado pelos bombeiros. Mas o pior de tudo é o meu irmão, cunhada e mãe terem-no visto morrer porque não conseguia respirar, previsão um AVC mas sem certezas, essas só haverá daqui a um mes e já se saberá se foi mesmo negligencia.

Ser forte foi tudo o que tentei ser, não chorei, não rebentei como aconteceu na minha avó, não porque não faltasse vontade mas sim porque tinha de ser a mais velha, primeiro o meu irmão depois eu, tentar estar fria para resolver o que havia a resolver visto a minha mãe não ter capacidade. Todos diziam "até tenho medo quando rebentares, vai ser pior o melhor é chorares vai-te fazer bem", mas não chorei, não na segunda.

Mantive-me o mais firme possivel, entrei poucas vezes na capela porque para mim não era o meu pai ali deitado, roxo, com algodão na cabeça devido à autopsia, com a cara repuxada ao maximo para que não se notasse o que quer que fosse dos cortes. Todos olhavam para mim, a filha que não chorava, que apenas fugia ao assunto e se ria (rio quando estou nervosa e pouca gente entende isso), a filha que estava ali fria.

No dia do funeral rebentei, não por falta de força porque essas ainda tinha algumas na reserva, mas por me ter enervado com a minha mãe, começou por um choro de raiva que controlei até à missa funebre, mas entretanto chegou o pessoal do meu trabalho, todos com palavras de apoio, não que os outros não as tivessem mas é significante o que eles fizeram, perguntaram como estava, apenas sorri e disse que ainda não tinha caido em mim. Entra o padre e começa a missa, ter de estar ali dentro com toda aquela gente (alguns com falsidade e isso foi algo que me fez confussão e ainda mais raiva), ver o meu pai ali deitado, algo que eu não aceitava, comecei a sentir-me sofucar, as lagrimas a começarem a cair, não queria mostrar a ninguém que estava mal seria até ao fim a filha que não chorou, pedi ao Lipe que me tirasse de lá, "agora não, está toda a gente aqui, é a missa", mais 3 segundos e mais uma lagrima a rebentar... "serio Lipe tira-me daqui" senti-me fraca, a desfalecer, ganhei lanço e sai de lá empurrei meio mundo para poder sair, apenas de cabeça baixa para que ninguém me vi se chorar enquanto repetia vezes sem fim "não quero estar aqui, não quero estar aqui" (pensando nisto agora não me parece real).
Cheguei cá fora e rebentei, chorei como já há muito não me lembrava de chorar (desde a minha avó), e enquanto chorava respirava fundo para tentar parar, mas na realidade não dava para parar, a raiva de ele não ter ido para o hospital, a raiva pela estupidez dele, a raiva pela falsidade de muita gente, a raiva pela vida que é injusta, saiu de tudo um pouco. Quando vi sairem da capela controlei-me e meti-me no carro para que ninguem me vi-se, fui até ao cemiterio a pensar que não podia chorar mais, não podia preocupar o meu irmão que já por ele estava mal, não podia preocupar o Lipe que também não estava bem devido à tal amiga dele que também morreu.
Se aguentei? Não, abriram o caixão lá no cemiterio, a minha avo agarrou-se a ele num choro compulsivo, mais um filho "o meu Nelson o meu rico filho", e eu de repente cai em mim, nunca mais o ia ver, mesmo a resmungar, mesmo com as coisas tipicas dele, e voltei a ve-lo ali deitado imovel, e so pensava na terra, e no "acabou" e ai sim rebentei mesmo, chorei compulsivamente.

Não me quis despedir dele embora me dissessem que devia faze-lo, prefiro pensar nele como era do que naquele estado, sentir o frio dele era impensavel para mim e não o fiz. A minha tia ao vir-se despedir de mim disse-me "estavas a fazer-te de forte não estavas?", não respondi, a raiva era tanta que nem para falar dava.

Se chorei mais depois disso? Sim muitas vezes, principalmente quando penso que queria o colo da minha avó e já não o tenho, dois no mesmo ano é demais.

Se fui a melhor filha? Não, não o fui por coisas que ninguém entenderia não o fui, mas na igreja perdoei-o por tudo.

E por muito que me tenha feito eu queria voltar a te-lo cá, ainda não mudei o nome dele no telemovel e sempre que o meu irmao liga penso que é ele, quando vou à minha mãe ainda penso que ele esta na cave, quando ouço ou vejo uma carrinha penso que é ele, ainda tenho a foto dele no inicio do portatil, ainda não eliminei o Hi5 dele nem eliminarei.
Eu sou a pessoa certa para dizer, não se zanguem por coisas minimas, não deixem de visitar quem amam mesmo sabendo que não se sentem bem com essa pessoa, amem, digam a quem amam que gostam deles porque o meu pai morreu sem ver a Di e a mim há um mes.

No domingo em casa do primo do Lipe estavam a falar de obras e eu ia dizer "se quiserem pergunto ao meu pai se é assim", parei no momento certo, e cai em mim que não ia haver mais o sonho que fosse ele a construir-me uma casa um dia, como eu queria, não havia mais o "vou perguntar ao meu pai" porque ele não estava cá mais.

Sinto saudades, das chamadas mesmo sendo para me berrar ao telemovel, das conversas no msn em que desabafava comigo sobre a minha mãe, das idas lá a casa em que mesmo me sentindo mal lá, sai sempre de lá com um sorriso porque no fundo até tinha corrido bem. Sinto saudades... e nunca pensei que ficaria assim, sem conseguir dormir, sem conseguir estar sozinha, sem conseguir enfrentar o silencio e o escuro.

Ainda não cai por completo em mim, para mim ainda está "vivo".

E este ano o natal não tem significado, e se não fosse a Di nem arvore montava.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Morte

E para melhorar o ano faleceu o meu pai...

Faz depois de amanha 8 meses que perdi a minha avo (mae), e hoje foi a enterrar o meu pai... Mal esteja melhor volto ca.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Vida

Há alturas que nos fazem entender que a vida não vale mesmo nada, que estamos por cá "2 minutos"e que temos de aproveitar bem esses minutos que nos foram cedidos.

Hoje uma rapariga de 34 anos com uma gravidez ectópica que lhe provocou uma hemorrogia morreu. A mim a rapariga não me diz nada porque realmente não a conheci, mas vi como ficou o L. e a mãe dele ao ouvirem a noticia. E eu pus-me a pensar como é possivel uma rapariga saudavel, provavelmente com um sonho de ter um filho e quando engravida morre de complicações, assim sem mais nem menos de um dia para o outro.

Realmente a vida não vale nada, tanto estamos aqui como no minuto a seguir podemos estar mortos.

Natal

Eu sou tanto de pedinchar que os posts de wish list ficaram pela Wii Fit. Claro que há muita coisa que eu queria para o Natal mas no fundo o que quero e desejo é mais sentimental não há grande coisa material que eu deseje neste momento, claro que queria ter dinheiro para uma casa, ter uma vida mais folgada mas isso são coisas que não dá para pedir ao "Pai Natal".

Na verdade o que eu queria para este Natal era poder juntar toda a gente que amo num sitio só, com lareira, sem falsidades, sem sorrisos forçados. Poder ter um jantar em familia, onde há sorrisos, onde há gargalhadas, onde pudesse ouvir a minha filha feliz enquanto abria cada presente.

Mas na verdade isso é algo impossivel de pedir, a minha filha vai passar o Natal ao pai, os meus pais não são propriamente aquela familia unida, e se decidir passar lá o Natal sei que vai haver sorrisos falsos, um dia em que tentam ser normais quando não o são, o L. está-se a lixar para o Natal porque não pode ter o filho com ele no dia e nem árvore de Natal quer, se no inicio de namoro queria que passassemos só os dois o Natal porque ambos não temos os filhos, hoje diz-me que vai à mãe e ao primo e que não vai significar nada, além disso nem sei se estarei ainda com ele no Natal.

Por isso acho que vou passar o natal sozinha em casa, sem sorrisos falsos, sem esperar nada de ninguém, apenas eu, e no dia a seguir como já tenho a minha filha comigo ai sim festejo o Natal com ela. Até lá vejo, mas que vai ser diferente lá isso vai.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Tenho

andado longe daqui porque:

1º fiquei eu doente na sexta, com dores fortes no corpo, uma pontinha de febre, dores de cabeça, vomitos e diarreia, não não era gripe A e sinceramente não sei o que me deixou assim, mas voto na lasanha do almoço. Como tenho gastrite crónica qualquer coisa me ataca o estomago, por isso depois de sexta foi sabado com dores muito fortes de estomago, e as dores de cabeça só começaram a passar ontem.

2º Ficou a minha filha doente, segunda notei que estava quente, confirmou-se durante a noite 38/39 de febre, centro de saude, merdices por causa da gripe A que assustaram a miuda com mascaras e afins. Eu farta de saber que não era nada disso lá disse à enfermeira, acabaram por confirmar que era o que eu disse, como o ranho não sai aloja-se na garganta devido ao tamanho das amigdalas dela que não deixam sair a porcaria cá para fora.
Levei nas orelhas por ela ter ido à piscina, levei nas orelhas por estar na consulta muito calma, expliquei que já eram 4 anos nisto a multiplicar por 3/4 vezes por ano torna-se habito dai a minha calma (como se uma mãe para ser mãe tivesse sempre de estar em panico numa consulta), lá passou brufen, aerius e benuron, junto veio vitaminas porque diz ela que a Di está muito fraquinha para o inverno, o que calhou bem pois ia-lhe pedir visto ela andar a comer muito mal.

E pronto um mal nunca vem só e é verdade...

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Vou à bruxa

Quando eu digo "sim está tudo a correr bem" ou algo que se valha, desde a bendita frase até o que digo estar bem mudar para mau é um Baby step.



Exemplos?



Colega de trabalho: Então a Di ainda faz birras?

Eu: Não, anda muito melhor, por vezes à noite faz uma mas é pequena nada comparado com o antes.



DE HÁ UMA SEMANA PARA CÁ QUE ME FAZ BIRRAS TODAS AS MANHÃS, ou porque não quer vestir, ou não quer tomar o PA, ou não quer ir para a escola...



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Então as coisas com o L. estão melhores?



Sim ele está mudado, fomos ao concerto e blá blá...



E PASSADO 1 DIA OU 2 DISTO DÁ UMA BIRRA AO MENINO, QUE FICA SEM ME FALAR, junto com o meu TPM que é muito bonito e me faz parecer uma madalena por tudo e nada, e junto ao meu péssimismo, conclusão ontem houve chatice, uma chatice estupida e sem sentido mas que já sei que o faz erguer a sua barreira que é como quem diz "ataca-me" com pérolas que ele sabe que magoam.



Conclusão quando me perguntarem como ando, como está A, B ou C direi que está tudo mal, péssimo porque assim pode ser que o que está bem se mantenha bem.



Ps: A birra foi terça mas com ela já eu lido bem, embora pense muitas vezes como fará ele um dia que esteja comigo em "nossa" casa e como fará quando decidir que naquele dia não me quer ver, sim porque ele quando fica assim evita de estar e falar comigo porque sabe que o questiono e da boca dele vai sair coisas que eu não gosto de ouvir e que me magoam.

Ontem ele estava muito bem disposto mas disse-me que mudar de casa para ir morar comigo para já que estava fora de questão porque não se sentia preparado para se prender dessa maneira, e eu até o compreendo porque também eu tenho medo e se por um lado quero por outro até tremo, mas com a mer.. do TPM amuei, senti-me magoada, não pensei e apenas reagi com tristeza por não saber o que fazer da minha vida porque o ordenado é baixo para uma renda. Ofereceu-se para me ajudar, mas que lógica tinha aceitar dinheiro dele, e se acabassemos como ia ser? Não, prefiro procurar e fazer sacrificios do que aceitar algo assim.

A verdade é que ele não percebeu o porquê de eu de repente lhe falar torto (nem eu), e agarrou-se ao PC e não me ligou nenhum e como fez isso eu explodi e pronto chatice na certa, ataca ele ataco eu, magoa-me ele, magoo-o eu e de repente parecemos 2 putos do básico numa birra.

Eu arrependo-me como sempre mas ele é mais teimoso e sei que vai ser dificil baixar de novo a guarda dele. A verdade é que cego a um ponto é que não sei como é feita uma relação, em que não sei em que é que se sustenta algo assim tão complicado.

Sei que é complicado lidar com os problemas dele, mas apercebo-me por vezes que também comigo deve ser dificil lidar, principalmente uma pessoa como ele...

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Amor é...

Do pouco que sei sobre amor em parte graças ao meu péssimismo acho que amor é vê-lo em pleno concerto dos Backstreet boys a olhar muito sério para mim, eu olhar para ele e ouvir algo como "Só pelo teu sorriso e pelo brilho do teu olhar valeu a pena trazer-te aqui. Eu nem ligo aos gajos porque não é o meu tipo de musica mas ver o brilho nos teus olhos... vale a pena".

E no fim tirar uma foto só para hoje colocar no PC e me dizer, já viste como estavas?

Há coisas e momentos que valem uma vida.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Paulo Coelho

Comecei a ler o livro "o Alquimista" e em numa hora li quase 50 páginas. A escrita é de uma leitura fácil.

O mais engraçado nestas páginas que já li é que começo a comparar este livro ao "o Princepizinho" de Saint Exupéry. Em ambos existe um menino sonhador, onde aparece um senhor que lhes fala de um tesouro, e no decorrer da história vão dando lições de vida.

Quando acabar o livro venho cá comentar se é assim tão parecido como acho ou não.

Passagens:

"Indo eles pelo caminho, entraram em um certo povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, que sentou-se aos pés do Senhor, e ficou ouvindo seus ensinamentos.
Marta agitava-se de um lado para o outro, ocupada em muitos serviços. Então aproximou-se de Jesus e disse:
– Senhor! Não te importas de que eu fique a servir sozinha? Ordena a minha irmã que venha ajudar-me!
Respondeu-lhe o Senhor: – Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. “Maria, entretanto, escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada."

LUCAS, 10; 38-42 "


"Ele dizia que quando Narciso morreu, vieram as Oréiades – deusas do bosque – e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.

– Por que você chora? – perguntaram as Oréiades.
– Choro por Narciso – disse o lago
– Ah, não nos espanta que você chore por Narciso – continuaram elas. – Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
– Mas Narciso era belo? – perguntou o lago.
– Quem mais do que você poderia saber disso? – responderam, surpresas, as Oréiades. – Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto.
Por fim, disse: – Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo. “Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida”.

Gajos bons #3


Jared Padalecki
19/07/1982
Actor
*E o que eu adoro ver Supernatural!